sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Talvez...

Quando acordei na manhã daquele sábado, 26 de novembro, e olhei para o céu nublado, tempo chuvoso...parecia pressentir. Friburguense e Madureira decidiriam o título da Copa Rio no estádio Eduardo Guinle. A oportunidade de conquistar o troféu que havia faltado na campanha do acesso era essa. E o Frizão venceria! Sim! Não tinha como perder. O melhor time, a melhor camapanha, jogo em casa, jogadores confiantes...e a pior das tempestades! Longe de ser como aquela de 12 de janeiro, que devastou parte da cidade. No entanto, o suficiente para deixar um amargo, um gostinho de quero mais...de que faltou algo...de que não foi completo. Depois de uma eternidade - sim pois as horas pareciam não passar das 7  às 16h - a bola rolou. Ou melhor... a bola não rolou. A chuva forte alagou o gramado e a troca de passes foi dificultada. O recurso da bola aérea favorecia ao Madureira, claro. Dois gigantes - Zé Carlos e Alex Sanchez - contra o pequeno Ricardinho...e posteriormente o não maior Ziquinha! E depois de erro na saída de bola, Elias abriu o placar para o time carioca. Uma mistura de sentimentos tomou conta da torcida tricolor. O grito de "vamos virar Frizão" era entoado de forma tímida, embargada. Mas o que era tensão virou esperança quando Diego Guerra cobrou pênalti e empatou, ainda no primeiro tempo. Sim...mas o futebol é capaz de provocar diversas situações em apenas 90 minutos. Aliás, bastaram poucos na etapa final para Elias receber um lançamento / chutão e dar um toquinho por cima de Adilson, marcando o segundo. O empate veio de cabeça com Bidu, 2x2. O mesmo que cometeria pênalti pouco depois. Elias cobrou e marcou o terceiro dele e do Madureira. Aos poucos, os torcedores deixavam o Eduardo Guinle, cabisbaixos, debaixo de chuva que não deu trégua. Eu, das cabines de rádio, observava. E me lembrava do jogo contra o Serra Macaense, aquela mesma cena. Quando o árbitro apitou o fim do jogo e olhei para o campo, outro replay: Bidu desabou na área, quase no mesmo lugar do jogo contra o Serra, e disparou a chorar. O título escapou mais uma vez, diante de mais de mil torcedores...e a pior das tempestades teve grande parcela de culpa...talvez se não tivesse chovido, com gramado seco, time leve...talvez se Marcelo de Lima Henrique tivesse dado aquele pênalti em Conselheiro Galvão, no primeiro jogo...talvez se não tivesse expulsado o Diego Santos em Madureira...talvez. Demorei dois dias para criar coragem e escrever algo no site do clube. Mas depois, conformado, comecei a pensar. Talvez, seja melhor acreditar que não era pra ser. Pois tem coisas na vida em que as respostas são dadas mais à frente. Às vezes não entendemos o por quê de imediato, mas tudo tem um propósito. Talvez disputar uma Série D, caso haja condições, leve o Friburguense a uma série C em 2013, enquanto uma partida bastaria para eliminar o tricolor na Copa do Brasil. Talvez o troféu de campeão se quebraria em alguns dias. Mas tem troféus que o Friburguense resgatou em 2011 e não se quebram: o respeito, a dignidade, o orgulho! O retorno do Frizão à elite e ao cenário nacional representaram a reconstrução do clube. Foram as notícias positivas de Nova Friburgo na mídia nacional. Foram os motivos de sorrisos sinceros, choros soluçantes...de alegrias e tristezas...de esperança e decepções...de variados sentimentos. Estes, só mesmo o futebol é capaz de proporcionar. O melhor time da Série B e da Copa Rio não venceu. Mas e daí? O exemplo de que é possível recomeçar, reconstruir, renascer foi dado. E pelo Friburguense! Para ser vencedor, muitas vezes, não é necessário ser campeão. E sim, cumprir metas, objetivos, superar obstáculos. É ser grande por natureza e não apenas por feitos. É carregar consigo o nome de uma cidade e fazer valer um planejamento bem feito e executado. Parabéns jogadores, Siqueirinha e diretoria. Se a razão não explica a vida, quem dirá o futebol, parte dela. O Frizão voltou, com tudo...firme e forte! Dois mil e doze promete para o tricolor da serra...tem Carioca, Série D, Copa Rio. Quem sabe? Sim, talvez...