quinta-feira, 8 de maio de 2014

A unanimidade preocupa...

Vinte três nomes e um segredo: o quarto zagueiro da lista de Felipão não é
 Miranda, e sim, Henrique. O zagueiro do Napoli, capitão do Palmeiras na série B 
do ano passado, venceu a disputa com o defensor do Atlético de Madrid por ter 
a confiança do técnico e pela versatilidade – diga-se de passagem, em sete jogos 
pelo Napoli este ano ele atuou quatro vezes fora da posição original.

A discussão em torno da convocação de um atleta que dificilmente entrará em 
campo parece necessária. Mas por outro ângulo. A “quase” unanimidade na 
convocação de Scolari esconde uma realidade preocupante: não existe um leque
 de opções de jogadores que permita uma discussão. Robinho não foi convocado?
 Kaká? Philipe Coutinho? Não existe um clamor nacional por nenhum deles. Todo
 mundo aceitou os nomes anunciados neste 7 de maio, um dia para ser lembrado
 não apenas pela escolha de quem tentará cicatrizar a ferida da Copa de 1950, a 
última em território nacional.

Em outros mundiais, o país parava para discutir o porquê da convocação de um, 
o motivo pelo esquecimento de outro. Desta vez isso não existe. Ninguém discutiu a 
presença do Jô, pois não dá para afirmar que Damião, Pato ou Luis Fabiano seriam
melhores opções. E realmente não são. Poucos falam de PH Ganso, uma 
das “grandes” revelações, sequer cogitado para integrar o grupo brasileiro.

Todo esse cenário reflete a antecipação de uma responsabilidade que não seria 
dessa geração. Neymar, Oscar, William, Bernard e companhia possivelmente 
estarão no auge em 2018, mas terão que pular etapas e assumir a condição de 
protagonistas da Seleção agora, especialmente Neymar. Sorte que, pelos amistosos,
 ele mostrou estar preparado. Esta seria a Copa de Adriano, Robinho, Kaká e
 até mesmo Ronaldinho Gaúcho. Não será. A geração que “não deu certo” como 
poderia transfere todo o peso para os mais jovens.

Resta esperar para conferir o desempenho da Família Scolari, que acredito, 
será muito bom. Embora não concorde com Hernanes, Henrique e Maxwel – gostaria
 de ver Philipe Coutinho, Miranda e Robinho ou Kaká -, entro na onda da falta de
 argumentos e acabo concordando. Acho que esta Seleção, empurrada pela
 torcida, pode conquistar o hexa. Mas com o título ou não, passou da hora de 
repensarmos o nosso futebol, o trabalho de base e o que é prioridade: o jogador ou
 o negócio. Ou então, a escassez tende a se estender por mais alguns anos. Não é
 toda hora que surge um Neymar. E eles ainda querem acabar com a essência do
 futebol brasileiro, exterminando os estaduais e enfraquecendo os times pequenos. 
Aliás, depois de Neymar, qual jogar diferenciado apareceu no Brasil? Pensemos...

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